Aeroportos continuam sob vigilância da Anvisa

Publicado em: 27/03/2020 - 16:17

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COVID-19

Pessoas sem sintomas não devem ficar retidas nos aeroportos, mas sim desembarcar e seguir as orientações gerais divulgadas para a população.

Por: Ascom/Anvisa

Os voos que chegam ao Brasil continuam sendo monitorados pela Anvisa nos pontos de entrada do país. A ação vem sendo promovida pela Agência desde o início do ano e antes mesmo da detecção do primeiro caso do novo coronavírus em território nacional.

Com a alteração da situação da doença e o início da transmissão comunitária no Brasil, as ações da vigilância sanitária de portos, aeroportos, fronteiras e recintos alfandegados estão voltadas para medidas de orientação. Essas informações incluem a indicação de isolamento de pessoas com sintomas e os cuidados de proteção, como higienização frequente das mãos e etiqueta respiratória.

As medidas não incluem a medição de temperatura de forma aleatória, já que essa ação é pouco efetiva e aumenta o risco de aglomerações nos aeroportos.

A equipe da Anvisa também avalia todos os passageiros com suspeitas e que relatam sintomas de Covid-19. Os casos suspeitos são encaminhados para o atendimento de saúde local, segundo as diretrizes do Plano de Contingência do ponto de entrada.

Quando medir a temperatura?

A medição de temperatura para todos os passageiros não vem sendo empregada pela Agência já que a medida não tem fundamento científico e não está entre as medidas previstas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e internalizadas no Brasil pelo Ministério da Saúde (MS), conforme Nota Técnica 30/2020 da Anvisa, de 20 de março de 2020.

A medição é adotada somente nos casos suspeitos.

As ações da Anvisa são baseadas em conhecimento técnico-científico da literatura e planejadas com foco na eficácia das medidas implementadas. Por isso a aferição de temperatura em todos os passageiros, que estudos e experiências de outros países demonstram ter baixa eficácia, não tem sido adotada pela agência.

A detecção de alteração de temperatura só seria possível se o passageiro estivesse manifestando os sintomas no exato momento do desembarque, podendo ainda ser mascarada pelo período de incubação da doença ou pelo uso de medicamentos antitérmicos. Além disso, o aparecimento de febre pode ser relacionado a outros fatores clínicos do viajante, não relacionados à Covid-19.

Esse tipo de abordagem pode acarretar ainda o aumento da exposição das pessoas e ambientes no aeroporto, aumentando o risco de disseminação do vírus.

Estratégia nacional

A estratégia do Brasil nos aeroportos inclui: 1) monitoramento das comunicações feitas pelos comandantes de aeronaves sobre a saúde a bordo; 2) investigação de denúncias; 3) divulgação intensiva de orientações e cuidados aos trabalhadores aeroportuários; e 4) inspeção da intensificação de limpeza e desinfecção das aeronaves, entre outras atividades.

A orientação para os passageiros que chegam ao país, independentemente do seu destino, é que observem as orientações de distanciamento social e comuniquem qualquer anormalidade de saúde ao serviço de saúde mais próximo, ou que solicitem informações pelo telefone 136 do Ministério da Saúde.

Procedimentos nos aeroportos

  • Passageiros suspeitos a bordo são relatados pelos comandantes das aeronaves e, após o pouso, são avaliados pela autoridade sanitária da Anvisa; caso mantida a suspeita, são encaminhados para o serviço médico do aeroporto ou do município, conforme o Plano de Contingência do ponto de entrada.
  • Viajantes que estiverem sem sintomas ou qualquer outro sinal não devem ficar retidas no aeroporto, mas sim desembarcar e observar as orientações gerais divulgadas à população pelo Ministério da Saúde.
  • Passageiros que chegam do exterior e apresentam sinais e sintomas após o desembarque e saída do aeroporto devem seguir as orientações das autoridades de saúde do estado e/ou município.
  • Destacamos que atualmente todos os voos são considerados como procedentes de países com casos de Covid-19, já que estamos em um cenário de pandemia.