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Presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa pede mais recursos para a instituição

Publicado em: 10/09/2020 - 08:56

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Imóvel foi a residência em que viveram Rui Barbosa e sua família por quase 30 anos no Rio de Janeiro

Em reunião técnica virtual da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (9), a presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, Letícia Dornelles, pediu aos parlamentares a aprovação de recursos orçamentários para a instituição.

“É fácil vocês dizerem que lutam pela cultura, mas não mandam recursos. Somos uma instituição pequena, nós precisamos de ajuda de vocês; o ministro me deu há pouco R$ 570 mil para recompor o orçamento, mas sabemos que o ano que vem será difícil. Serei eternamente grata. Os gestores passam, a Fundação permanece”, disse Dornelles, que chegou a chorar em alguns momentos da audiência.

O encontro, marcado pelo deputado Marcelo Calero (Cidadania-RJ), reuniu professores, representantes e ex-gestores da instituição para discutir a situação da Fundação Casa de Rui Barbosa. O museu que integra a Casa fez 90 anos em agosto e é o primeiro museu-casa público do Brasil. O imóvel foi a residência em que viveram Rui Barbosa e sua família por quase 30 anos no Rio de Janeiro e foi comprado pelo governo federal em 1924, um ano após a morte do jurista.

Segundo a presidente da Casa de Rui Barbosa, o orçamento anual da instituição é de R$ 6,5 milhões. Emocionada em alguns momentos, ela destacou que, em época de cortes, está conseguindo trazer recursos para o órgão. E prometeu abrir um curso de pós-graduação em Direito na Fundação com apoio da Capes e do Ministério da Educação.

Ibram
Letícia Dornelles, que assumiu a o cargo em 2019, desmentiu uma possível extinção da Fundação, que seria integrada ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).  Notícias publicadas pela imprensa no início do ano indicavam uma intenção do governo de editar medida provisória nesse sentido.

O professor de Literatura e Cultura Brasileiras Pedro Meira Monteiro, há quase 20 anos na Universidade de Princeton, observou que, nos últimos dez anos, vê uma perda de interesse pelo país no exterior. Para ele, isso é resultado do que chama de “descalabro civilizacional” e “crise democrática e da ignorância que impera nas coisas da cultura”.

Avaliação semelhante faz o ex-presidente do Instituto de Advogados do Brasil Técio Lins e Silva, integrante do Conselho Consultivo da Casa de Rui Barbosa.

“E o conselho consultivo eu não tenho notícia de ter sido proibido nem de ter sido organizado. Portanto, não há esse instrumento de consulta que ajuda, pela representação da Academia Brasileira de Letras, do Instituto de Advogados, instituições que são responsáveis pela preservação da cultura brasileira”, lamentou.

Acervo
Ex-presidente da Casa de Rui Barbosa, Lúcia Maria Velloso de Oliveira lembrou que a instituição reúne acervos de escritores políticos, um conjunto de documentos que testemunham as mudanças culturais do Brasil.

“O arquivo é uma importante fonte para a compreensão da historiografia brasileira contemporânea e consolidação de instituições públicas do país. Na biblioteca, são cerca de 120 mil livros, há muitas obras raras”, salientou.

Segundo o deputado Marcelo Calero, a reunião cumpriu o que ele considera a principal função do Parlamento: a de fiscalizar.

“E essa fiscalização se dá por diversas ferramentas, uma delas é a realização de encontros como esse. E eu acho que faz parte do interesse público lutar contra qualquer forma de obscurantismo, sempre valorizando a produção acadêmica, a ciência, a crítica, sempre de forma urbana, construtiva, em favor daquele bem maior, que é a vida que é o nosso país. ”

A Fundação Casa de Rui Barbosa é uma instituição vinculada ao Ministério da Cidadania. O arquivo Rui Barbosa é constituído de cerca de 60 mil documentos. Também há arquivos pessoais dos escritores Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Morais, e de Cruz e Sousa.

Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Ana Chalub

Fonte: Agência Câmara de Notícias